Brizola e rede da Legalidade renascem com a mudança da UNE e UBES para Porto Alegre

 

A solenidade de transferência simbólica das sedes da UNE e da UBES para Porto Alegre até a próxima quarta-feira (24) foi marcada pelas lembranças de um episódio marcante na história democrática brasileira. A campanha da Legalidade, liderada pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola em 1961 a fim de garantir a posse do vice-presidente João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, foi citada por todos os convidados como exemplo de resistência democrática diante da ofensiva jurídica e midiática que tenta impedir a participação do ex-presidente Lula no processo eleitoral de outubro. Não bastasse o simbolismo do evento, a data marca os 96 anos do velho caudilho Brizola.

 

Em 1961, a UNE e a UBES também transferiram momentaneamente suas respectivas sedes para a capital gaúcha. A diferença é que Brizola defendia a democracia e hoje, tanto o Governo do Rio Grande do Sul como a prefeitura de Porto Alegre são administradas pelo PSDB, principal partido de sustentação ao golpe de 2016 contra a ex-presidenta Dilma Rousseff.

 

Anfitriões, a presidente da UNE Marianna Dias e o presidente da UBES Pedro Gorki destacaram a importância das duas entidades para a democracia num momento que o país se vê ameaçado. Os dois destacaram o julgamento político que o ex-presidente Lula vem enfrentado. Marianna fez questão de lembrar que o julgamento político não é feito pelo judiciário:

 

- Quem julga politicamente qualquer candidato é o povo. E o tribunal é a urna. Não há democracia quando o direito de um candidato é cassado em um processo sem provas. E historicamente, papel da UNE é defender a democracia.

 

Mais jovem estudante a assumir a presidência da UBES, Pedro Gorki relembrou estudantes e militantes mortos pela ditadura militar e comparou os dois períodos. E lembrou que a esquerda não luta com ódio.

 

- Não lutamos por ódio ao Moro ou ao Temer. Lutamos pelo nosso povo, pela soberania e democracia do nosso país. E é por isso que transferimos as sedes da UNE e da UBES para cá e também por isso que defendemos o direito do Lula ser candidato.

 

A “nova” sede da UNE e da UBES está funcionando no DCE da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Para a solenidade, foram convidados ex-presidentes e diretores das duas entidades, entre eles Lindbergh Farias, Orlando Silva, Gustavo Petta, Manuela D ávila e Aldo Arantes, que presidia a UNE em 1961, na época da campanha pela legalidade. Arantes relembrou momentos de tensão e a participação institucional da UNE na campanha da Legalidade.

 

- Estamos vivendo um momento em que guardadas suas diferenças tem a ver com o que vivemos em 1961, a tentativa de um golpe. Naquela época tentaram e não conseguiram por conta da reação popular, mas agora deram o golpe. Porém, não vão conseguir impor a consolidação desse golpe.

 

O ex-ministro dos Esportes Orlando Silva destacou o prejuízo da politização do julgamento do ex-presidente Lula para a democracia.

 

- A politização desse processo é ruim porque cada um tem um papel. O judiciário tem um papel, o Executivo tem outro papel e o legislativo outro. Agora eles politizaram para tirar o Lula do jogo e vão acabar unificando o campo popular que passou a defender o direito do Lula se candidatar. A Manuela é pré-candidata e está aqui, o Guilherme Boulous já demonstrou sua solidariedade publicamente. O próprio Ciro, ainda que tímido, também já se pronunciou. A estratégia deles deu errado. Agora sem mobilização social permanente não seremos capazes de superar a concentração de poder. Quando a UNE e a UBES trazem a sede para cá, transformam Porto Alegre num polo irradiador de energia. Parabéns pelo compromisso com a democracia.

 

Embora não tenha presidido a entidade, a deputada estadual e pré-candidata à presidência da República Manuela D’ávila (PC do B/RS) lembrou a importância do legado na democracia e na educação deixado pelo ex-governador gaúcho Leonel Brizola e afirmou que a defesa do direito de Lula ser candidato não é um direito individual, mas de todos os brasileiros e brasileiras.  

 

- Transferir a sede da UNE para cá nos faz refletir o por que a eleição do presidente nos unifica. É  porque lutamos não pelo direito de uma pessoa concorrer, mas pela manutenção de que qualquer brasileiro pode concorrer. O que está em jogo é a democracia em nosso país. Porque, para o capitalismo, a democracia não é mais algo necessário. Para garantir a concentração de renda e o fim de pequenas políticas sociais se abre mão da democracia. E defender que Lula seja candidato em 2018 é uma saída profundamente democrática.  

 

Senador da República e ex-presidente da UNE, Lindberg Farias também fez questão de ressaltar o papel da UNE e da UBES no fortalecimento da democracia no país. E lembrou a importância d Leonel Brizola, especialmente quando o ex-governador gaúcho criticava a Rede Globo.

 

- Brizola hoje faria 96 anos, olha a simbologia disso aqui. O que houve naquele momento, em 1961, foi o seguinte: o golpe estava dado, eles não deixariam João Goulart assumir. Mas assumiu porque houve enfrentamento. É o que devemos fazer. Falar de Brizola é também falar da Rede globo. Porque ninguém acertou mais quando falava da Globo do que Leonel de Moura Brizola. Quem deu o golpe foi a burguesia elitista, mas a madrinha desse golpe é a Rede Globo. É muito grave tentarem impedir a candidatura do Lula, não existe mais vestígios da ordem democrática, é o trancamento definitivo da via institucional. Por isso nós dizemos que eleição sem Lula é fraude.

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