Na véspera do julgamento, Lula mostra garra e ganha apoio popular

Uma imensa mobilização popular, o ato político cultural de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu cerca de 70 mil pessoas no Centro de Porto Alegre, nesta terça-feira (23) no início da noite. A fala de Lula começou por volta de 19h45, em um palco montado perto do Largo Glênio Peres.

 

Em seu discurso acalorado de mais de 20 minutos, o ex-presidente lembrou as conquistas sociais de seus governos e o protagonismo internacional conquistado naquele período pelo Brasil. Ele conclamou a população a voltar às ruas e afiançou não estar preocupado com o seu destino “e, sim, com o do povo”.

 

Aumentando o tom, criticou o mercado, uma “elite perversa”, uma imprensa mentirosa e o governo. “Não precisamos do mercado, precisamos de empresas e agricultura produtivas e da agricultura familiar”, argumentou.

 

Ovacionado em diversos momentos, com o já famosos "olê, olê, olê, olá, Lula, Lula" e "Lula, guerreiro do povo brasileiro", ele argumentou que o país está vivendo uma falsa estabilidade de um governo, que não tem credibilidade “e está destruindo tudo o que conquistamos”.

 

Lula prometeu que, seja qual for o resultado do recurso de sua condenação que será julgado nesta quarta-feira (24), no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em fevereiro ele iniciará uma caravana pelo Estado, iniciando por São Borja, passando por Santa Maria, Livramento e chegando a Porto Alegre.

 

Negou-se em falar no seu processo e da Justiça, mas disse esperar que os juízes se atenham ao processo, deixando de lado suas convicções políticas. Por fim, o ex-presidente disse ter 72 anos, estar com energia de 30 “e tesão de 20 para mudar esse país”.

 

No ato de apoio ao ex-presidente, que durou cerca de duas horas, a ex-presidenta Dilma Rousseff, afirmou que, sem candidatos capazes de vencer Lula nas urnas, a oposição está em busca de outras maneiras de tirá-lo do páreo. “Não temos um plano B, caso Lula não possa concorrer, porque quem acredita na inocência de uma pessoa é um covarde se tentar substituí-lo. Nosso plano é Lula 2018″, explicou Dilma.

 

A pré-candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila, afirmou que seu partido reconhece o direito de Lula concorrer. “Precisamos de eleições livres. Nós queremos que essa eleição se decida nas urnas”. Também se manifestou no palanque a presidente do partido, a deputada federal Luciana Santos.

 

O senador Roberto Requião (MDB-PR), ao lado de Lula e Dilma, disse estar impressionado com o tamanho da manifestação, ao que chamou de “um grande tribunal popular” que inocentava o ex-presidente. Ele também criticou a agenda de reformas do governo Temer, do seu partido, e as manobras contra Lula.

 

Ao lado de deputados e senadores, dos ex-governadores, Olívio Dutra e Tarso Genro, a presidenta do Partido dos Trabalhadores, a senadora Gleisi Hoffmann, citou todos os movimentos sociais e populares, as centrais sindicais e os populares que se deslocaram pelo Brasil e de fora dele para estar em Porto Alegre.

 

Depois do ato, o ex-presidente seguiu para São Paulo, onde  acompanhará o resultado do julgamento junto de sua família, já que o dia 24 marca um ano da internação da ex-primeira-dama Marisa Letícia, por um acidente vascular cerebral, que acabou por vitimá-la.

 

Rosa Pitsch (MTb-5015)

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