Diálogos Internacionais sobre a Democracia inicia atividades em defesa de Lula

Mais de 400 pessoas lotaram o auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do RS (Fetrafi), no Centro de Porto Alegre, para a realização dos Diálogos Internacionais sobre Democracia, na manhã desta segunda-feira (22), que integra a agenda do #Com Lula em POA. A ex-presidenta Dilma  Rousseff chegou às 11h50 e foi recebida com palavras de ordem pelos presentes. Os representantes dos sindicatos e partidos de esquerda argentinos saudaram a ex-presidenta com o coro: “Atención, atención! Dilma te saludan los soldados de Perón”. Além dos argentinos, representantes de entidades políticas e sindicais de vários países da América Latina e da Europa participam do encontro.


O evento iniciou-se às 10h16, com a chegada da presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que abriu o encontro ao lado do ex-presidente do PCdoB e atual presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo. Gleisi começou seu discurso falando da Marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina Pela Democracia e Legalidade, da qual havia participado. “ É um símbolo importante do que estamos vivendo. Mais de 80 entidades representantes da luta popular vieram para defender o Lula e também a nossa jovem democracia. Estamos em uma encruzilhada, podemos aceitar as injustiças ou lutar.”


Após o discurso de Renato Rabelo, iniciaram-se os colóquios com os convidados. O primeiro a falar foi Thomaz Manz, da Fundação Friedrich Ebert no Brasil. Manz frisou que o processo contra o ex-presidente Lula é instrumentalizado para fins políticos, afirmação que deu o tom da maioria dos discursos que se seguiram.  Ele citou inclusive a carta da ex-ministra da Justiça alemã e jurista Herta Daubler-Gmelin, que coloca sob suspeita a imparcialidade do juiz Sérgio Moro, já que se refere a Lula como integrante de um sistema criminoso na sentença.


Depois, foi a vez dos depoimentos de Sandra Lazzo, vice-presidenta da Frente Ampla, do Uruguai; Francisco Cafiero, vice-presidente da Copppal, da Argentina; Marco Consolo, do Partido da Esquerda Europeia, da Itália; Oscar Laborde, da Frente Transversal, da Argentina; e Marita González, da Confederacion General del Trabajo, da Argentina.  A participação de Laborde foi interrompida pela chegada da ex-presidenta Dilma Rousseff, que discursou sob aplausos no final.


A ex-presidenta falou sobre a judicialização da política, lembrou a perseguição a sindicalistas argentinos como Victor Santa María, e fez um breve retrospecto do golpe. “O golpe começou com a criminalização da política fiscal e seguiu com o impeachment.”, disse Dilma. Após, falou sobre as consequências inesperadas do golpe, citando as pesquisas de intenção de voto que indicam vitória de Lula, e afirmou que a direita não tem candidato para enfrentar Lula. Sobre a possibilidade de o PT indicar outro candidato à presidência, ela foi taxativa: “Essa discussão sobre Plano B é como dizer ´renuncia, presidenta´. Não podemos aceitar, simplesmente porque o Lula é inocente.” Bem-humorada, ela falou sobre as políticas sociais do PT, que sempre tiveram como princípio beneficiar a maioria da população público-alvo, comparando-as às do PSDB, que são dirigidas a “ 20 mil, 30 mil pessoas”. E terminou: “Agora estão querendo fazer política social de auditório”, numa clara alusão à possibilidade de uma candidatura de Luciano Huck.

 

Crédito: Imprensa Frente Brasil Popular do RS

Claudio Fachel 2.jpg